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Vem aí a nova geração de internet

O 5G está chegando no Brasil e garante mudar a nossa forma de ver o mundo

06/10/2021 10h14
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Por: Stéffany Santos
Vem aí a nova geração de internet

Você é daqueles que fica encantado com as possibilidades tecnológicas vividas em países como China e Japão? Saiba que o Brasil está a uma gestação de entrar para esse patamar avançado proporcionado pela quinta geração de internet, o 5G.

O conselho diretor da Anatel já aprovou o edital com as regras para a implantação do 5G no Brasil e marcou o leilão para o dia 4 de novembro. A previsão é que a tecnologia já funcione até 31 de julho de 2022 em algumas cidades do país. A internet 5G deve provocar uma verdadeira revolução tecnológica.

A geração de internet tornará possível operações complexas via telemedicina e cidades inteligentes com veículos autônomos que circulam sem motoristas.

A velocidade de acesso à internet pode chegar a 20 gigabits por segundo (GBps), maior do que as conexões de fibra óptica atuais, melhorando muito a experiência de quem navega inclusive pelo celular.

A latência, ou seja, o tempo em que um sinal leva para ir de um ponto a outro, é menor do que um milésimo de segundo, ou milissegundo. No 4G usado hoje no país, a latência é de cerca de 70 milissegundos, 70 vezes maior que a do 5G.

Com a velocidade muito superior na transmissão de dados, a nova tecnologia promete trazer diversas inovações que vão se refletir em maior produtividade, avanços na economia e na qualidade de serviços em todas as áreas de atividade.

Para os usuários convencionais, tudo isso significa acesso à banda larga móvel avançada, com velocidade até cem vezes maior que a atual. Para as empresas, a conexão com baixíssima latência e alta confiabilidade permitirá o controle remoto de maquinário industrial, a conectividade no campo e a realização de cirurgias remotas.

Em reta final de avaliação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o leilão das radiofrequências que serão utilizadas pela nova geração de internet no Brasil é um passo importante que está sendo tomado em paralelo a uma série de medidas e adaptações que já vêm sendo articuladas tanto pelo Ministério das Comunicações quanto por operadoras que viabilizarão a novidade.

A chegada da nova tecnologia suscita uma série de questões, muitas delas técnicas e complexas. Mas especialistas são unânimes em afirmar que o 5G vai trazer mudanças profundas na forma como a sociedade navega, produz e consome conteúdo.

Leilão de frequências de tecnologia 5G

Importante para a implementação do 5G no Brasil, o leilão das frequências de operação da nova geração de internet móvel é a porta de chegada dessa tecnologia.

Discutido em diversas audiências públicas ao longo de 2020, o leilão é considerado não arrecadatório, já que não terá objetivo de garantir arrecadação, e sim garantir investimentos em infraestrutura de comunicação e aprimoramento da conectividade em áreas ainda carentes.

Segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, uma das exigências para o leilão é que haja investimentos não apenas para as redes mais avançadas de 5G, mas também para habilitar amplamente o 4G em pequenos municípios.

“Todo valor acima do preço mínimo será revertido para as 2,3 mil localidades que ainda não possuem 4G habilitado, para as rodoviárias federais e povoados rurais”, afirmou o secretário, um dos responsáveis pela elaboração dos termos do pregão.

No leilão do 5G, quatro faixas de frequência serão ofertadas. Destas, duas serão inicialmente híbridas e servirão para distribuir o sinal 4G e o 5G em variações do espectro. 

O direito de exploração para quem vencer o leilão é de 20 anos. Contudo, as empresas vencedoras terão algumas contrapartidas a serem feitas em forma de investimento, como realizar a instalação de cabos de fibra óptica na Amazônia e a construção da rede privada para o governo. Deverão levar internet de qualidade a escolas e garantir a tecnologia 5G para todas as cidades com mais de 30 mil habitantes até 2028. Em cidades com mais de 500 mil habitantes, o prazo é julho de 2025.

5G – qual a diferença entre as gerações?

Apesar do ganho óbvio no quesito velocidade, a transição para o 5G não será percebida apenas pelas taxas de download ou upload de conteúdo, explica o presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais.

“O 5G vai remodelar a sociedade e os meios produtivos. Para muito além do que aconteceu quando saímos do 3G, teremos internet das coisas [IoT, da sigla em inglês], carros autônomos, cirurgias remotas. O 5G alavanca e possibilita várias outras tecnologias, como inteligência artificial, realidade aumentada – tornando cada vez os meios produtivos mais competitivos”, explicou.

Internet de altíssima velocidade

O presidente da Anatel explica que as novas possibilidades de interação podem transformar a educação, os serviços e a indústria brasileira, além de capacitar novos mercados de trabalho.

Como exemplos, cursos remotos de ensino poderão se beneficiar de aulas em realidade aumentada – experiência de interação em que objetos reais são aprimorados por meios digitais – para mostrar casos práticos da construção de uma estrutura arquitetônica, ou para o treino de um piloto de avião, por exemplo.

Galerias de arte, máquinas complexas ou até mesmo o corpo humano podem ser explorados via realidade aumentada em sessões de aprendizado com centenas de outras pessoas compartilhando a experiência.

“A realidade virtual e a realidade aumentada ganham outra dimensão. Você pode ter o professor virtualmente onde estiver. É possível usar sensores táteis para manusear um órgão humano, no caso de um estudante de medicina. Um técnico de tomógrafo, por exemplo, poderia dar assistência na manutenção de uma máquina. São vários exemplos que mostram que a tecnologia 5G é disruptiva”, explicou.

Todos os cenários citados pelo presidente da Anatel só são possíveis graças às características inerentes à tecnologia do 5G, em especial a velocidade de transmissão e recepção de dados, chamada latência.

Ela é a soma do tempo de envio de uma informação até a resposta do servidor ao qual a conexão está sendo feita. Em seguida, o envio da resposta do servidor ao cliente com as novas informações, e assim repetidamente.

Faixa de parabólicas terá filtros

Segundo o secretário de Telecomunicações, Artur Coimbra, cerca de 21 milhões de brasileiros utilizam antenas parabólicas para receber sinais de telecomunicação em casa – serviço que usa a mesma frequência de 3,5 GHz que será ofertada para exploração comercial no leilão do 5G.

“Há uma exigência descrita no edital que é específica para essa frequência [3,5 GHz]. A gente sabe que a TV por satélite no Brasil é muito popular e foi necessário pensar em soluções para isso – o que não sai barato. Felizmente, a parte técnica foi desenhada e está muito robusta”, disse Coimbra.

A empresa responsável por arrematar a frequência terá, entre outras responsabilidades, que operacionalizar a instalação de filtros de sinal e, em determinados casos, a troca da antena e do equipamento de recepção da banda atual para a chamada banda Ku. A mudança será feita por meio de um kit especial que será custeado pela operadora da frequência.

Faixa exclusiva para o governo federal

A empresa que arrematar a faixa de 3,5 GHz também terá um compromisso de segurança nacional: viabilizar uma rede privativa de comunicação para o governo federal que tenha requisitos de segurança ampliados e que seja altamente confiável.

Segundo o edital do leilão, duas contrapartidas deverão ser executadas para criar a rede segura de troca de dados do governo: uma malha de conexão de fibra óptica entre todos os órgãos da União e uma rede móvel exclusiva para o uso público. Todas as telecomunicações do governo, além de serviços de segurança, defesa civil e emergência, poderão usufruir do serviço, que será implementado inicialmente no Distrito Federal.

Infraestrutura complexa

O secretário de Telecomunicações também listou os desafios de preparar a infraestrutura dos grandes centros urbanos para o recebimento da tecnologia 5G. “Teremos dois desafios logísticos com o 5G. O primeiro é a complexidade do licenciamento [urbanístico] para implantação de antenas. Vamos precisar ter cerca de dez vezes mais antenas do que com tecnologias anteriores”, argumentou.

As antenas de transmissão do 5G, no entanto, trazem uma vantagem. Por serem pequenas, explica Artur, poderão ter regras especiais de isenção de licenciamento urbano – o que agilizaria o processo de cobertura da tecnologia. O problema do licenciamento urbanístico é que ele acontece na esfera municipal, e há grande variação nas legislações sobre o tema.

“O segundo ponto é a expansão das redes de fibra óptica que alimentarão essas antenas. O próprio edital prevê o aumento da malha de cobertura da fibra óptica e a substituição da infraestrutura antiga, mas é um processo demorado”, argumentou Coimbra. 

 

*Com informações da Agência Brasil

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