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Quem tem câncer precisa conhecer seus direitos

O Instituto Câncer Direito quer dar à pacientes com câncer um tratamento digno através do direito

31/10/2021 08h26
Por: Stéffany Santos
Fonte da Imagem: CUT
Fonte da Imagem: CUT

Natália Scalabrini, 31, foi diagnosticada com câncer de mama e diante da falta de informação sobre os direitos dos pacientes oncológicos, resolveu compartilhar seus aprendizados fundando o Instituto Câncer Direitos e assim, aproximando milhares de pacientes de um tratamento mais DIGNO. "Encontrei o meu propósito após o diagnóstico de câncer de mama, O Instituto Câncer Direitos nasceu com o objetivo de proporcionar um tratamento mais digno aos pacientes oncológicos a partir da disseminação de informações sobre os direitos" - disse.

Ao ser inserida no mundo oncológico aos 28 anos de idade, Natália, fundadora do Instituto Câncer Direitos notou que o cenário era ainda mais cruel para os pacientes e familiares que não conheciam os seus direitos.

O diagnóstico do câncer de mama chegou de forma inesperada para a procuradora jurídica e junto a ele muitas dúvidas. "Quando notei que já havia violações de direitos básicos como início do tratamento dentro do prazo legal e concessão de cópia de prontuário médicos, me assustei com o que poderia ver no que se refere ao acesso do tratamento propriamente dito, como o fornecimento das radioterapias IMTR, das imunoterapias, das vacinas e de cirurgias. Não demorou muito para constatar que o medo era real", revelou a fundadora.

Segundo Natália, todos os dias inúmeros pacientes são prejudicados em seus tratamentos simplesmente por desconhecerem que podem exigir sua própria documentação, que tem direito a realizar exames de diagnóstico no prazo de 30 dias, que podem judicializar as prescrições médicas negadas pelos planos de saúde, que podem manter seus afastamentos do trabalho com recebimento de benefício do INSS enquanto não estivessem aptas ao retorno, que podem solicitar isenções de impostos ou ainda conquistar outros benefícios financeiros. Para Natália, o que falta para esses pacientes são informações jurídicas que fazem toda diferença durante o processo. "Nós não estamos falando de violações cotidianas de regras ou de leis. Nós estamos falando de vida. Uma vida que poderia ser auxiliada a partir do conhecimento sobre seus direitos ou uma vida que poderia continuar no esquecimento e ser ignorada pelo sistema. Eu decidi fazer parte do primeiro grupo! Não pensei duas vezes em criar o Instituto Câncer Direitos e dedicar meu tempo e conhecimento a essas pessoas", afirmou a fundadora.

Durante o bate-papo, Natália Scalabrini revelou que passar por um diagnóstico de câncer não é nada fácil e que ela sentiu isso na pele. Por isso, um dos valores que não abre mão, ao idealizar a primeira escola para os pacientes com câncer, é o acolhimento do paciente. "Nós acreditamos que a informação é a ponte que vai proporcionar ao paciente e aos seus familiares, o avanço daquele cenário que antes era de insegurança e medo para um novo cenário onde se consiga enxergar os caminhos possíveis para sair desse estreito corredor", afirmou.

Durante este período, começou a notar que além da dificuldade do próprio tratamento, as pacientes ainda encontravam dificuldades para ter acesso ao tratamento reparador, cenário esse que era intensificado no que diz respeito à reconstrução mamária. Segundo a paciente, isso acontece porque as cirurgias de reconstrução das mamas não atuam na erradicação ou no controle do câncer de mama, ficando esquecidas num segundo plano. "O foco dos gestores em saúde é concentrar esforços para o tratamento da doença. No entanto, é preciso lembrar que além de oferecer tratamento à paciente e indispensável a cirurgia de reconstrução mamária que atua justamente nesta área. Erradicar o câncer e deixar uma mulher às margens da sociedade, sofrendo preconceito para relocação no mercado de trabalho, abandono afetivo, discriminação por chances de recidiva, depressão e baixa autoestima em razão da mutilação de seus corpos não me parece eficaz", pontuou Natália.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, em recente levantamento, apurou-se que apenas 20% das mulheres tiveram suas mamas reconstruídas no Brasil entre 2008 e 2015. Ao ser questionada, a procuradora jurídica afirmou que esses dados são alarmantes e que precisam mudar. "Já enfrentei todo o processo, acredito que a primeira dificuldade está na paciente saber identificar se aquele procedimento de reconstrução mamária aplica-se ao seu caso. Elas não sabem sequer se tem esse direito e isso dificulta a darem o segundo passo na busca pela cirurgia", afirmou.

Pensando em todas as mulheres que passam pelas dificuldades do processo, o Instituto Câncer Direitos criou para este ano importantes ações durante a Campanha de Outubro Rosa, que evidenciam o processo da reconstrução mamária. "É uma ação que faz parte da Campanha Outubro Rosa, diferente de tudo o que já vimos. Neste ano, não falamos de prevenção ao câncer de mama, mas sim de recomeços após o câncer de mama e não há como falar em recomeço ignorando a reconstrução mamária".

As atividades da Campanha Outubro Rosa 2021 contam com aulas exclusivas e gratuitas que revelam, no passo a passo, como garantir a reconstrução mamária pelo SUS. As aulas podem ser acessadas nas plataformas digitais do Instituto Câncer Direitos, no canal do Youtube, além do site www.cancerdireitos.com.br.

*Com informações Câncer Direitos

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