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Notícias Saúde Mental

O Burnout vai muito além do mercado de trabalho

Segundo jornalista norte-americana o burnout atingiu todas as fases da vida dos millennials

08/11/2021 09h10
Por: Stéffany Santos
Fonte da Imagem: O Globo
Fonte da Imagem: O Globo

Você já ouviu falar em Burnout? Desde 2019 o burnout está classificado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como doença relacionada ao trabalho. 

A Síndrome de Burnout é conhecida como esgotamento profissional, resultado de uma pressão excessiva, muita responsabilidade e cobrança – que podem vir da própria pessoa que sofre do problema.

Até chegar na fase do burnout, que é o colapso do corpo e da mente, a pessoa passa por outros sintomas como exaustão, stress, vazio interno e mudança de valores, que podem, inclusive, ser confundidos com depressão ou ansiedade.

Mas, apesar de o burnout ser associado ao trabalho excessivo, a jornalista norte-americana Anne Helen Petersen tem uma visão um pouco mais ampla sobre a doença. Para Anne, o esgotamento físico e mental dos millennials (geração nascida entre 1981 e 1996) é um “estado permanente”. E é isso que ela aborda no livro Não Aguento Mais Não Aguentar Mais (HarperCollins Brasil), onde ela contesta a caracterização geralmente jocosa dos millennials, que têm atualmente entre 25 e 40 anos, como "preguiçosos", "egoístas" e "frágeis diante da dureza da vida". Tal descrição era feita principalmente pela geração boomer (os norte-americanos nascidos após a Segunda Guerra Mundial, cujas idades variam hoje entre 55 e 75 anos).

A jornalista, uma millennial de 40 anos que viralizou com um artigo no site BuzzFeed sobre o tema, traça uma linha histórica que chega até o momento atual de empregos precários, bombardeio de informação, dívidas com educação para ter um nível maior de escolaridade e saúde mental abalada.

Anne Petersen já estava com o livro praticamente pronto antes da pandemia da Covid-19, e afirma que a pandemia só acentuou os efeitos em quem já sofria de burnout.

Para a jornalista, a síndrome saiu do mundo profissional e invadiu outras esferas da vida.

"As características do burnout mudam conforme o tempo. Pessoas que trabalhavam ou ainda trabalham por muitas horas em fábricas, sem tempo para elas mesmas, sofrem uma forma de burnout. Mas hoje isso se relaciona a todos os outros componentes da vida cotidiana. Tudo parece trabalho. Redes sociais podem parecer trabalho quando postar está ligado à ideia de performance e de transformar o indivíduo em uma marca. Criar filhos envolve uma pressão para não falhar e não comprometer o futuro financeiro das crianças."

Petersen defende em Eu Não Aguento Mais Não Aguentar Mais que os millennials na verdade não tiveram vida fácil e entraram na fase adulta quando se consolidou a transformação do mercado de trabalho no mundo.

Aumento de corte de pessoal por eficiência empresarial, desregulamentação de leis trabalhistas e preferência posterior por empregados sem vínculos resultaram em um ambiente de menos oportunidades e piores condições, mas onde ainda prevalece a ideia de que estudo e trabalho duro são garantia para alcançar sucesso.

"Fomos criados para acreditar que, se nos esforçássemos o suficiente, poderíamos ganhar no sistema - do capitalismo e da meritocracia americana", diz um trecho do livro. "Convencemos trabalhadores de que as péssimas condições são normais, de que se rebelar contra isso é sintoma de uma geração mimada."

E a jornalista credita esse sentimento difuso a um aumento da desigualdade social e à sensação nas pessoas de que a qualquer momento elas podem sair do patamar mínimo de qualidade de vida.

Uma pesquisa com mais de 30 mil trabalhadores de 31 países, encomendada pela Microsoft para a série The Work Trend Index e divulgada em março de 2021, mostrou que:

  • 54% dos entrevistados sentem que estão trabalhando em excesso
  • 39% relatam estado de exaustão
  • 41% pensam em pedir demissão

No Brasil, um levantamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul com 201 técnicos de enfermagem indicou que 70% relataram sintomas de burnout.

A geração dos millennials nasceram junto com a internet e se viram imersos nesse mundo de transformações rápidas que essa tecnologia trouxe, e isso deixou suas marcas. 

 

Para não chegar ao estágio grave do burnout, é importante que as pessoas estejam mais atentas aos próprios limites e à saúde. Quem já faz terapia e cuida da saúde mental, mesmo que por outros motivos, tem mais dificuldade de atingir o estágio mais grave. Mas ter um estilo de vida saudável também ajuda a lidar melhor com a síndrome, como, por exemplo, ter uma alimentação saudável, não pular refeições, respeitar um tempo para fazer atividade física.

*Com informações BBC

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