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“Nós não somos ricos, EU sou rico”: o impacto positivo dos milionários que não deixarão herança para os filhos

Hábito dos magnatas pode auxiliar beneficamente no combate a desigualdade social

09/11/2021 08h27 Atualizada há 4 semanas
Por: Vítor Tobias
Créditos: reprodução/Instagram
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Em julho, durante evento de um podcast nos EUA, o ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, dono de uma fortuna estimada em US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões na cotação atual), afirmou que costuma dizer aos seus seis filhos: "Nós não somos ricos, EU sou rico".

Em declarações que ganharam destaque no Twitter nos últimos dias (quando "Shaq" participou do GP de Fórmula 1 dos EUA), o ex-jogador e atual empresário contou que defende "uma regra" para os filhos: educação.

 
 
 
 
 
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"Você precisa ter seu diploma, seu mestrado, e se quiser que eu invista suas empresas, você me apresenta (seu projeto). Mas eu não vou te dar nada", disse, agregando esperar que entre eles haja "um médico, um farmacêutico, um dono de um fundo de hedge, um advogado, alguém que tenha múltiplos negócios ou que assuma os meus negócios. Mas não vou entregar nada (aos filhos), eles terão que merecer".

Em setembro, foi a vez de o apresentador Anderson Cooper, âncora da emissora CNN e cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão na cotação atual), declarar que não pretende deixar "um pote de ouro" para seu filho, que hoje tem um ano e meio de idade.

 
 
 
 
 
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"Não acredito em passar adiante grandes quantidades de dinheiro", disse Cooper em episódio que foi ao ar em setembro no podcast Morning Meeting.

"Não estou tão interessado em dinheiro, mas não pretendo passar adiante algum tipo de pote de ouro para meu filho. Vou fazer o que meus pais me disseram: 'sua faculdade será paga, e em seguida você precisa seguir (por conta própria)'."

Cooper é descendente, por parte de mãe, dos Vanderbilts, que foram em seu tempo uma rica dinastia americana e que começou a definhar antes de o apresentador nascer - e sobre a qual ele escreveu um livro.

As falas de Cooper e de O'Neal se inserem em um debate maior entre uma parcela de milionários e bilionários internacionais a respeito da destinação de suas riquezas - e também em meio a críticas sobre responsabilidade social e impostos sobre fortunas em um momento de grande desigualdade e concentração de renda em todo o mundo.

Além disso, trazem à memória casos famosos de magnatas que ativamente evitaram deixar o dinheiro para seus herdeiros.

Bill Gates tem uma fortuna avaliada em 87 mil bilhões de euros, mas não está nos planos do milionário deixar esse valor aos três filhos, Jennifer, Rory e Phoebe. Uma boa parte da herança  será doada a organizações solidárias e à própria instituição fundada por ambos – a Fundação Bill e Melinda Gates.

Andrew Carnegie vendeu a Carnegie Steel Company, no início dos anos 1900, e abarcou US$ 480 milhões de patrimônio, o que o colocou como homem mais rico de seu tempo. O dinheiro, no entanto, foi destinado a criação de bibliotecas, institutos educacionais, fundos e fundações nos EUA e Europa.

Chuck Feeney, outro bilionário americano, acumulou mais de US$ 8 bilhões ao longo de sua carreira no comando da Duty Free Shoppers, empresa de varejo em aeroportos. Boa parte deste dinheiro foi inteiro para filantropia, a causa de sua vida. Segundo a BBC, o magnata de 89 anos hoje vive uma vida sem luxo e com reservas feitas para os anos em que estivesse aposentado com sua esposa.

Kevin O’Leary, empresário canadense do ramo da informática, acredita que “você amaldiçoa uma criança quando elimina todo o risco de suas vidas”. Em sua opinião, crianças ricas e mimadas não se importam em buscar uma carreira. Em entrevista à CNBC, ele – que é um dos participantes do programa “Shark Tank” – comentou que quando recebeu dinheiro com seu primeiro IPO na SoftKey criou um fundo para as crianças da família, garantindo que elas teriam todas as despesas pagas até a universidade. Depois disso, é cada um por si.

Yu Pengnian, bilionário chinês no setor imobiliário e hoteleiro, morreu em 2015 com 93 anos e a família não viu a cor do dinheiro. Ele doou mais de US$ 1,2 bilhão a causas filantrópicas e deixou no testamento que todo o dinheiro restante fosse doado.

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