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Notícias Meio Ambiente

Refugiados transformam deserto em floresta

Com a ajuda de organizações internacionais, um acampamento de refugiados se tornou um oásis verde em Camarões

11/11/2021 16h30
Por: Vítor Tobias
Foto: Reprodução YouTube | ACNUR
Foto: Reprodução YouTube | ACNUR

Em 2014, cerca de 70 mil pessoas fugiram da violência na Nigéria e passaram a viver em um acampamento para refugiados em Camarões. Minawao já era uma região árida e a chegada de milhares de pessoas contribuiu para a desertificação do local, já que as árvores foram cortadas para servir de lenha e para cozinhar.

Foto: ACNUR

A chegada dos refugiados se tornou um problema para a população local que já enfrentava problemas relacionados à seca, principalmente nos meses de verão. O preço da madeira aumentou consideravelmente, causando conflitos na comunidade, já que cerca de 95% das famílias da região usam lenha para cozinha e aquecimento.

O campo de refugiados cresceu e se tornou uma cidade que precisava de seus próprios suprimentos. Após a instalação do acampamento, as árvores sumiram e o cenário precisava mudar.

Foto: ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Federação Luterana Mundial (FLM) se uniram e lançaram um programa único em 2017. Além de solucionar o desmatamento, a iniciativa incluía a promoção de energias renováveis. Os resultados apareceram e a comunidade se envolveu na restauração e proteção do meio ambiente.

“Para onde quer que olhemos, agora é verde”, comemora Luka Isaac, presidente dos refugiados nigerianos em Minawao.

“AS ÁRVORES CRESCERAM, TEMOS SOMBRA E TEREMOS ÁRVORES SUFICIENTES PARA TORNAR O NOSSO AMBIENTE BONITO E SAUDÁVEL. ANTES, O AR ESTAVA MUITO EMPOEIRADO. AGORA O AR QUE RESPIRAMOS É MUITO BOM."

Plante árvores, colha comida e água

A FLM cultiva árvores frutíferas em viveiros, com a ajuda de refugiados voluntários, e depois distribui as mudas para os administradores do campo, escolas, mesquitas, igrejas e famílias.

Foto: ACNUR

Antes de receber as mudas, as pessoas passam por um treinamento como usar a “tecnologia do casulo”, desenvolvida pela Land Life Company, para dar às mudas a melhor chance de sobrevivência no ambiente hostil do deserto. 

A técnica consiste em enterrar um tanque de água em formato de donut feito de caixas recicladas que envolve as raízes da planta e a alimenta com um barbante que se conecta ao broto jovem.

Depois de 4 anos, cerca de 360 mil mudas foram cultivadas no viveiro nos arredores do acampamento – e plantadas em uma área de 119 hectares. Com a “tecnologia do casulo” as mudas estão registrando taxas de sobrevivência de 90%.

Foto: ACNUR

Árvores frutíferas, acácias, cajus ou moringas fornecem frutas, remédios e muito mais. Depois de três anos, algumas árvores são grandes o suficiente para serem podadas como lenha, sem que sejam derrubadas. Um ciclo de plantio e colheita de cinco anos garante material para lenha, além de cipó para a construção de telhados. 

Como as árvores ajudam a parar o vento, elas também desempenham um papel importante na queda da erosão. Além disso fornecem sombra e com menos erosão e mais sombra, as famílias da região estão conseguindo cultivar outros alimentos.

“AS ÁRVORES NOS TRAZEM MUITO. PRIMEIRO, FORNECEM A SOMBRA NECESSÁRIA PARA O CULTIVO DE ALIMENTOS. ENTÃO, AS FOLHAS E GALHOS MORTOS PODEM SER TRANSFORMADOS EM FERTILIZANTES PARA O CULTIVO. FINALMENTE, A FLORESTA ATRAI E RETÉM ÁGUA: A CHUVA ATÉ AUMENTOU.”

Lydia Yacoubou, nigeriana que vive no acampamento em Camarões.

A energia alternativa empodera mulheres e meninas

Além de plantar e garantir meios para a subsistência, era importante garantir que as árvores não seriam cortadas para virar lenha. A solução foi a produção de fogões com eficiência energética, juntamente com dois centros de produção de ‘carvão ecológico’.

Foto: ACNUR

As famílias no campo enviam seus resíduos das colheitas para o centro de carvão, onde são separados, secos, carbonizados e compactados em briquetes, usados ​​em fogões especialmente adaptados. A FLM afirma que já treinou mais de 5.500 famílias na produção de carvão ecológico e distribuiu 11.500 fogões com eficiência energética.

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