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Educação Educação Domiciliar

Homeschooling: você já possui a sua opinião sobre o assunto?

Novo método de ensino pode ser implantado até o final do ano

02/07/2021 08h30
Por: Vítor Tobias
Créditos: Deposit Photos/Banco de Imagens
Créditos: Deposit Photos/Banco de Imagens

A prática do homeschooling está em trâmite no Congresso Nacional. Enquanto uns atacam, outros defendem. No fim, a grande verdade é que o método já é realidade em muitos países e serve como alternativa para algumas questões. Como toda a circunstância existente, o modelo de ensino possui seus prós e contras. E nesse texto, vamos apresentar algumas variantes para que você cidadão, tenha a sua própria opinião. 

O mais importante a ficar ciente sobre essa questão, é que ela não representa um fim para o modelo tradicional já existente. Porém, poderá servir como uma ampliação.

No país, o homeschooling vai na contramão da lei que determina que todo brasileiro de 4 a 17 anos deve frequentar uma escola. Mesmo assim, o Brasil tem apoiadores do homeschooling e a aplicação do modelo gera debates no Supremo Tribunal Federal (STF) há muito tempo.

Em 2018, o STF declarou que a educação domiciliar não é um ato inconstitucional. Embora a lei não proíba explicitamente o homeschooling, ela também não a respalda. Em 2020, o Distrito Federal foi o primeiro a regulamentar e liberar a prática. Mesmo em um cenário de crescimento de evasão escolar e falta de estrutura no ensino à distância causada pela pandemia, a proposta de regulamentação do ensino domiciliar será tratada com urgência pela Câmara dos Deputados.

Educação personalizada

Um dos principais pontos daqueles que defendem a prática do homeschooling é o direito da família decidir a maneira como seus filhos são educados. Em momentos de polarização política e a censura de livros didáticos, a youtuber e estudante de psicologia Bianca Colombari, 25, acredita que o vínculo familiar deve ser o protagonista na formação de toda criança.

“Os pais são os que mais amam e conhecem seus filhos, e sempre irão carregar a responsabilidade pela segurança e bem-estar deles”, diz Colombari, que é mãe de duas meninas. “Eu acredito que a liberdade de escolher em favor dos seus filhos é o argumento mais importante na discussão do homeschooling”,afirma.

Ela não vê a relação entre a escola tradicional e a escola domiciliar como uma disputa. As duas teriam vantagens, caberia a cada família decidir quais aspectos atendem melhor suas necessidades. “Acredito que, se liberada ou regulamentada a prática do homeschooling no Brasil, o cenário [da educação brasileira] melhoraria”, explica.

Segundo ela, as salas de aula superlotadas, a má distribuição do investimento público e o próprio ambiente escolar, que "é visto por muitos pais como um depósito de crianças”, contribui para que se perca “muito do sentido educacional” das escolas. A universitária explica que o estudo domiciliar é uma maneira de incentivar a autonomia e o posicionamento ativo nas crianças, atendendo suas necessidades e interesses específicos. “Na escola, a criança aprende de forma passiva; o conteúdo é apenas inculcado, repetido até fazer as crianças fixá-los”, diz

Uma educação que converse com o dia a dia e as características individuais de cada um seria a ideal. Nesse sentido, o papel dos pais como educadores seria o de incentivar e guiar a busca pelo conhecimento nos filhos. "É um estilo de aprendizagem focado nos pontos fortes de cada criança, baseado na investigação, curiosidade e autonomia”, diz.

Contras

Para os contrários à implementação do ensino domiciliar, a falta de convivência com outros indivíduos além do núcleo familiar pode prejudicar a formação da criança. A diretora executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, diz que “a ideia de homeschooling é pautada pelo fim do convívio com o diferente e com a diversidade do ambiente escolar”. Segundo ela, a falta da convivência com o outro expõe a criança a um cenário de isolamento e a apenas um modo único de pensar.

“A educação [escolar] passa pela aquisição de conteúdo e também ensina valores como diversidade, frustração (o ganhar e perder), compartilhamento, defesa. Isso é impossível em casa”, explica Silvia Colello, educadora e professora de psicologia da educação na Universidade de São Pauto (USP), à Claudia.

Ainda não há um consenso sobre a possibilidade de um preceptor ser contratado pelos responsáveis do ensino para ser o educador das crianças. Na internet, mesmo antes de qualquer decisão do STF, já é possível comprar materiais didáticos e cursos preparatórios para o ensino domiciliar, boa parte ligada a alguma instituição religiosa. Não há, porém, informações claras se os Materiais seguem a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) estabelecida pelo Ministério da Educação.

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